sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

NOITES

Aquela solidão não podia ser normal. Tinha força sobre-humana. Era impossível fazer sumi-la. Ela já havia tentado de tudo. Preencheu o vazio de sua cama com estranhos. Completos estranhos perdidos que se achavam em sua cama numa única noite. Mas ainda não era ele. Nada nem ninguém se comparava a ele. Era tamanha frustração. Perceber que seu poder sobre seus sentimentos era insignificante.


Os contornos nus estavam ao seu lado. Então porque não se sentia feliz? Era possível que alguém fizesse tanta falta assim? Recordou de certas noites que pareciam noites de outras décadas. O que estava diferente? Tentou a companhia e também tentou a solidão. Mas ali em sua cama, ocupando todo o espaço esperando que o mesmo acontecesse com seu coração, ela ainda podia sentir. Sentia o vento, que ainda era ele. Sentia o cheiro, que ainda era ele. E mais do que tudo, sentia suas palavras, que ainda eram ele.

Ah! Havia entendido. O que fazia falta não era ele. Eram suas palavras sussurradas ao ouvido. Aquelas que acalentavam seu sono. Que tiravam suas preocupações. Aquelas que ela não conseguia mais entender porque já estava sonolenta demais para focar em algo. Mesmo que fosse sua voz. Era horrível pensar que ela nunca mais teria uma noite tranqüila.

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